quinta-feira, 5 de maio de 2016

Reportagem da UOL - Melhor Idade? O envelhecimento da população provocará profundas mudanças nas nossas vidas

Divulgamos abaixo, a reportagem da UOL que contou com a participação do presidente da ABG, Tiago Ordonez.

A reportagem  "Melhor Idade?" na íntegra está disponível no link http://tab.uol.com.br/brasil-idoso/#a-melhor-idade

Reproduzimos aqui no blog uma parte, leia e confira:



COMEÇA AOS 80

Será que 80 é o “novo 70”? Ou 70 o “novo 60”? Talvez nem precisasse de uma chancela tão formal assim, mas a Organização Mundial de Saúde recentemente atestou que os velhinhos de hoje de fato possuem qualidade física e mental melhores em relação aos seus pais e avós. Aqui no Brasil esse é um estímulo a respeito de um fim de existência digno e satisfatório, já que todas as variáveis sociais convergem para a curva ascendente da expectativa de vida.

Está chegando a vez dos “superidosos”. O grupo etário daqueles com 80 anos ou mais estará entre os mais numerosos da população do país em 2060, representando 10,5% das mulheres e 8,76% do total de habitantes – hoje essa fatia é de apenas 1,5% dos brasileiros. E a tendência é de que esses velhinhos do futuro cheguem neste momento com mais qualidade de vida e com alguns tabus derrubados pelo chão.

“As pesquisas voltadas a expor um panorama da população idosa têm demonstrado que os velhos de hoje assumiram papéis jamais previsíveis em outros tempos. São diversas experiências que há meio século seriam inconcebíveis. Como imaginar na velhice o retorno à escola ou ao trabalho? O divórcio? O novo casamento? A vinda de um filho quando já se passou da idade para ser avô? Enfim, situações inovadoras que levam a questionar em que medida e de que forma essa população é, de fato, dependente”, reflete Adriana de Oliveira Alcântara, doutora em Antropologia Social pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista na temática idosa.

Nessa visão otimista, talvez existam coisas até mais palpáveis do que os números em si, como as histórias de gente ativa e bem-sucedida além dos 80. São casos que ajudam a desmistificar essa barreira como o fim de linha. “Oitentões” da atualidade como os empresários Jorge Paulo Lehmann e Silvio Santos, ou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, são exemplos que, a julgar pelo aumento quantitativo desse universo etário, têm tudo para serem mais recorrentes.

“Embora haja uma forte evidência de que os idosos estão vivendo mais tempo, a qualidade desses anos extras não é clara. Os resultados de pesquisas são muito inconsistentes. Além disso, as tendências dentro de diferentes subgrupos de uma população podem ser muito distintas. Dessa forma, embora 70 não aparente ser o ‘novo 60’, não há nenhum motivo por que isso não possa acontecer. Porém, torná-lo uma realidade exigirá muito mais ações de saúde pública concentradas no envelhecimento”, opina Tiago Nascimento Ordonez, da Associação Brasileira de Gerontologia.

O Brasil ainda tem um tempinho, mas precisa agir logo na preparação a este momento inédito de sua história. Cabe a Estado, iniciativa privada e sociedade irem além de conceitos folclóricos e antigas verdades para planejar como inserir a terceira idade de forma efetiva na engrenagem da nação. Uma frase atribuída ao pensador alemão Johann Wolfgang von Goethe diz que “o que a mocidade deseja, a velhice o tem em abundância”. É hora de confiar em reflexões como esta para ir de encontro à fase envelhecida do país. Todo poder à terceira idade.




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