segunda-feira, 20 de abril de 2015

Curso de gerontologia prepara gestores do bom envelhecimento

Fonte: Estadão

JULIANE FREITAS - O ESTADO DE S. PAULO
14 Abril 2015 | 18h 28

Nova formação universitária acompanha aumento da expectativa de vida no País e visa aspecto social, biológico e psicológico do idoso

A população brasileira está envelhecendo. A redução das taxas de natalidade e o aumento da expectativa de vida já mudaram a cara do País e, pouco a pouco, as necessidades dos novos grupos que se reforçam. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer no Brasil deve chegar aos 80 anos em 2041 mas no Estado de Santa Catarina, por exemplo, ela deve ser alcançada já em 2020. Espera-se que haja mais ou menos 530 mil idosos acima dos 90 anos em 2015 e 967 mil em dez anos.

Observando essa tendência, já notada nos países desenvolvidos, como Inglaterra, Estados Unidos e até China, a Universidade de São Paulo (USP) criou o primeiro curso de bacharelado em Gerontologia do Brasil. A especialidade, antes, era aplicada no ensino superior em forma de pós-graduação stricto e lato senso. Agora, o curso do câmpus Leste na instituição abre 60 vagas por ano e já formou cerca de 270 profissionais desde sua primeira turma, em 2005. Em todo o País, estima-se que existam 440 gerontólogos graduados até 2014, segundo levantamento da Associação Brasileira de Gerontologia.

"Outros países enfrentam e enfrentaram problemas diante da falta de serviços para comportar a demanda do envelhecimento. O Brasil está envelhecendo de forma acelerada e hoje já temos 22 milhões de idosos. É preciso saber gerenciar esse processo", conta a coordenadora de Gerontologia da USP, Rosa Yuka Sato Chubaci. De formação ampla, o profissional gerontólogo em quase nada se parece com o geriatra, um médico especializado nos cuidados com a terceira idade. Durante a universidade, o estudante aprende conceitos de biologia, psicologia, saúde e, especialmente, de gestão do envelhecimento.

"O geriatra é um médico que vai diagnosticar uma doença e indicar um tratamento. O gerontólogo vai ser o gestor desse idoso, ou mesmo dessa clínica médica. Ele vai ajudar o idoso a passar por esse processo e mostrar o que ele deve fazer para ter uma velhice com mais qualidade, olhando pela parte clínica, nutricional e psicológica", explica a professora. Para preparar o profissional para lidar tão bem com o idoso e suas necessidades, o aluno que escolher estudar gerontologia terá durante a universidade desde disciplinas introdutórias sobre a velhice até temas mais específicos, como antropologia do envelhecimento, gestão de pessoas, alterações psicológicas e patológicas, cuidados médicos e atividades físicas para os idosos, além de estágios para colocar os conhecimentos em prática. Outro objeto importante de estudo é a criação de uma consciência e transmissão de educação sobre o processo de envelhecimento.

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