quarta-feira, 3 de outubro de 2012

RESULTADO DO "CONCURSO ENCANTOS" DE TEXTOS EM HOMENAGEM DO DIA DO IDOSO 2012. PARABÉNS AOS GANHADORES! 2º COLOCADA

Autora: Ana Maria Miranda Luna, 60 anos.
São Paulo-SP.



Tempos Idos(os)

Foi de repente que meu espelho ficou diferente.
Na imagem refletida traços novos me acordaram.
Nas linhas tortuosas e nos cabelos alvos como a verdade de reconhecer que o 
meu
momento chegara: eu, definitivamente idosa!
Consegui! Estou viva e bem!
Houve um tempo que desejei muito chegar aos 18. Uma espécie de libertação.
A carteira de motorista era o alvo maior. Sentir-se adulta. Imagine meus 18 anos,
quantos encontros e desencontros, acertos e erros ainda por acontecerem...
Há um tempo de DEUS, dizem.
Há um tempo para tudo: formatura, casamento, criar filhos, fazer a carreira, aposentar e
ir embora. Não importa a ordem do tempo, pois ele bate em minha porta todos os dias.
O tempo é inexorável. Implacável, mas amigo.
Dos meus longos cabelos escuros e lindamente encaracolados, restam fotos e
lembranças de um tempo que construiu, lutou, realizou. O tempo, esse louco!
As fotos tão lindas! Momentos vividos, intensos.
Meu espelho tem cabelos brancos agora, com lindas mechinhas pintadas com a mão do
charme. Ora, o tempo não me faz alheia ao meu espelho.
Espelho de mim mesma. Espelho da minha existência.
Avó sim. Derreto com o sorriso da minha neta. Quero me afogar no cangotinho
perfumado que ela tem, mas sei que o tempo agora é dos pais dela.
Ciente da maravilha de envelhecer com dignidade e bom humor, rio com as frases que
hoje me são familiares: “no meu tempo”, ”já gozei a mocidade”, “já fui boa nisso”,
“não consigo mais” e tantas outras...
Os tempos idos me ensinaram que tempos idosos são recompensas que a vida oferece.
Quando percebi que meu espelho trincou não me desesperei e nem fiquei triste.
Vi que eduquei, orientei, sofri e sorri.
Cada trinca foi de lágrima de alegria ou tristeza, de chegada ou partida.
Meu espelho está naturalmente refeito para mim.
Valorizo a vida cada vez mais.
Não tenho medo da idade, minha vaidade vai e nunca se esvai...
Afinal, o que é morrer senão o próprio ato de viver?
Feliz daquele que consegue tempos idos.
Tempos idosos
Gostosos e ditosos!







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