sexta-feira, 9 de julho de 2010

Atividades socioeducativas: uma ferramenta do gerontólogo

POR HENRIQUE SALMAZO DA SILVA


A educação sobre a velhice e o processo de envelhecimento constitui uma ferramenta essencial para a atuação do gerontólogo bacharel e tecnólogo em Gerontologia.

As intervenções socioeducativas podem ser definidas como atividades que propiciam a troca de conhecimentos, a interação social e a discussão de temas que envolvem o contexto sociocultural, geopolítico e pessoal dos indivíduos. São caracterizadas por estimular o potencial de mudança e de desenvolvimento associadas às diretentes fases do curso de vida, simbolizando um investimento de médio e longo prazo (Cachioni e Palma, 2006; Flauzino et al., 2010; Neri, 2006).

Em derterminados contextos essas atividades podem se desdobrar em programas de promoção da saúde, grupos terapêuticos e intervenções psicológicas grupais (Campos e Coelho, 2010). Inserido em equipamentos sociais e de saúde, o gerontólogo pode planejar e desenvolver intervenções socioeducativas, propiciando:

(1) desmistificar estereótipos sobre o processo de envelhecimento;
(2) estimular a educação para o envelhecimento para crianças, jovens, adultos, idosos, comunidade e familiares;
(3) contribuir para a qualidade de vida das pessoas idosas, abordando temas que envolvem a saúde, doenças crônico-degenerativas, os projetos de vida, as percepções sobre a velhice, e as alterações biológicas, sociais, psicológicas e afetivas que ocorrem ao longo do curso de vida;
(4) estimular a reflexão de temas pouco discutidos, como: finitude, luto, espiritualidade, sexualidade, família e relações familiares, doenças crônicas, dependência, solidão, violência e outros.


DICAS IMPORTANTES:



- Utilize uma linguagem simples, clara e de fácil compreensão;
- Intervenções recreativas devem partir de um contexto de discussão, evitando a infantilização dos sujeitos envolvidos nas atividades;
- Valorize o conhecimento e a experiência de vida dos idosos, jovens e crianças ao propor discussões grupais. Para Freire (1983) a relação entre educandos e educadores pressupõe a valorização do universo dos sujeitos, propiciando um contexto de aprendizagem mútua;
- Articule o conhecimento da teórico, adquirido durante a graduação, para fomentar a dicussão;
- Utilize estratégias pedagógicas variadas, como: debate, estudos de caso, reflexão sobre poemas e músicas, reflexões autobiográficas, grupo de estudos, filmes, documentários, encenação, discussão livre e ou discussão dirigida;
- Caso uma estratégia pedagógica não tenha atingido o resultado esperado, tenha a liberdade de utilizar outras. O famoso plano B tende a ser eficaz;
- Panfletos e materiais escritos devem ser usados com cautela, visto que muitos idosos não são alfabetizados e ou não possuem o hábito de ler;
- Envolva todos os participantes nas atividades, estimulando aqueles que falam menos a participar e abrindo a palavra aos participantes mais reservados e ou introspectivos;
- Propicie um ambiente favorável para a troca de conhecimentos e para o fortalecimento de laços afetivos. É fundamental abrir as discussões para diferentes pontos de vida. O gerontólogo deve acolher as discussões, ouvi-las e favorecer o compartilhamento de vivências;
- Ao ouvir a opinião dos participantes, valorize a comunicação não-verbal. Em algumas circunstâncias as expressões não-verbais são mais reveladoras do que a comunicação verbal;
- Em atividades grupais estabeleça com os participantes regras elegidas pelo grupo para o seu funcionamento, como: pontualidade, respeito à expressão e à fala dos demais, duração, coordenação das discussões, e apresentação das atividades que serão desenvolvidas;
- Após os encontros, reserve um tempo para discussões individuais e para ouvir os participantes que preferiram não se expor durante a atividade;
- Em algumas circunstâncias o encamhinhamento a outros profissionais será necessário, como médicos e geriatras, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, entre outros. É fundamental promover um trabalho integrado e favorecer a atenção integral ao idoso;
- Em atividades intergeracionais as atividades devem ser orientadas para estimular a troca de conhecimentos, o respeito às diferenças e a cidadania dos envolvidos (Ferrigno, 2003);
- Ao final das atividades, revise brevemente os temas abordados, consolidando o produto final das discussões que foram desenvolvidas;
- Avalie periodicamente os resultados e a metodologia empregada nas atividades com base na opinião dos participantes e no andamento do grupo;
- Registre todas as atividades por meio de fotos, auto-relatos, desenhos e materiais confeccionados pelos participantes. Os registros constituem uma fonte para estabelecer a identidade do grupo;

FONTES PARA AS ATIVIDADES:
Portal do Envelhecimento - http://www.portaldoenvelhecimento.net/
Site reúne indicação de livros, filmes, obras e artigos sobre o envelhecimento.

Literatura On-line - http://www.lol.com.br/
Site congrega obras literárias e algumas delas abordam questões sobre o envelhecimento. Machado de Assis, Clarice Lispcetor, Raquel de Queiroz são alguns dos autores que escreveram reflexões interessantes.


REFERÊNCIAS:
CACHIONI, M.; PALMA, L.S. Educação permanente: perspectiva para o trabalho educacional com o adulto maduto e o idoso. In: FREITAS, E.V. Et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, p. 1456-1465.
CAMPOS, A.P.M.; COELHO, V.L.D. Compartilhando histórias: Fatores terapêuticos e mudanças percebidas por idosas participantes de uma intervenção psicológica grupal. In: FALCÃO, D.V.S.; ARAÚJO, L.F. (Orgs) Idosos e Saúde Mental. Campinas, SP: Papirus, 2010. p. 165-180.
FERRIGNO, J.C. Co-Educação Entre Gerações. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo, SP: SESC, 2003.
FLAUZINO, K.; FRATEZI, F.R.; SALMAZO-SILVA, H. Iniciativas socioeducativas para a promoção do envelhecimento saudável - projeto gerodia: saúde, bem-estar e educação no envelhecimento. A Terceira Idade, v. 21, n.47, p.50-59, 2010.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 13ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
NERI, A.L. Atitudes em Relação à Velhice: Questões Científicas e Políticas. In: Freitas, E.V. et al. (eds) Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, p. 1316-1323

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